O Globo (Brésil) Interview de Raquel Garrido

Posté par le 14/04/2012 dans Médias, Português | 0 commentaires

Entre o slogan argentino e o modelo de Lula

 

Candidata de partido radical aposta em insatisfação na busca de votos na América Latina

Fernando Eichenberg

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PARIS – A francesa Raquel Garrido, de 37 anos, é uma militante entusiasta. Dirigente do Partido de Esquerda, integrante da Frente de Esquerda liderada por Jean-Luc Mélenchon, faz campanha por seu candidato no pleito presidencial e também por sua própria candidatura à Assembleia Nacional — ela postula uma das 11 vagas de deputados eleitos por franceses residentes no exterior. Sua circunscrição é a região que se estende do México até a Patagônia, compreendendo 33 países. No fim de maio, deverá estar no Rio e em São Paulo em busca de votos de franceses expatriados.

O renascimento da esquerda na França ela diz testemunhar a cada dia:

— Havia na França algo não dito, que era a desconfiança generalizada e maciça dos cidadãos em relação aos políticos. Lançamos um livro no ano passado, “Qu’ils s’en aillent tous!” (Que todos vão embora!), inspirado no slogan argentino “Que se vayan todos!”. Nossa experiência militante nos levou a fazer esta análise. Mas não era muito difícil de concluir isso, basta ver o alto índice de abstenção eleitoral (acima de 30% para o primeiro turno este ano, segundo as sondagens).

Na sua opinião, o voto francês pelo “não” no referendo sobre o tratado para uma nova Constituição europeia, por exemplo, foi um típico exemplo de “choque cívico e democrático”.

— As instituições mantinham artificialmente sua autoridade. Em 2003, três milhões de pessoas fizeram greve contra a reforma das aposentadorias. Há uma tensão democrática e uma brutalidade do sistema, e uma forte demanda republicana por democracia e por qualidade cidadã. As revoltas da Primavera Árabe entram neste processo, desencadeando o método constituinte, como ocorreu na América Latina.

A práxis da Frente de Esquerda, diz ela, foi a de captar a sensibilidade dessa insatisfação geral e canalizá-la em um movimento de transformação democrática.

— É uma campanha extremamente pedagógica. Como uma locomotiva, estamos levando toda a sociedade francesa para uma consciência mais à esquerda. Fazemos um trabalho cultural de base, é Gramsci (pensador italiano – 1891-1937), a hegemonia cultural precedida da hegemonia política — resume.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva permanece, segundo ela, como uma inspiração para as esquerdas no mundo — há uma foto de Mélenchon abraçado a Lula na estante da sala do candidato da Frente de Esquerda —, mas existem discordâncias em política econômica:

— Isso de superávit não é nosso modelo.

 

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